Torcedores do Mazembe tornam-se gremistas e ironizam os colorados

Vice-cônsul e o primo, universitário, comemoram classificação sobre o Inter

No Mercado Público de Porto Alegre, um dos prédios mais tradicionais da capital gaúcha, dois torcedores do Mazembe almoçaram tranquilamente na tarde desta quarta-feira. Alheios à tristeza da metade vermelha do Estado, e em sintonia com a alegria da outra metade – o lado azul dos pampas, comemoraram na terra do Inter a vitória de 2 a 0 que levou o time da República Democrática do Congo à decisão do Mundial de Clubes da Fifa.

Yves Mumbala e Francis Mwanza torcedores do Mazembe em Porto AlegreYves Mumbala e Francis Mwanza, torcedores do Mazembe (Foto: Eduardo Cecconi / GLOBOESPORTE.COM)

Yves Mumbala é o vice-cônsul do país no Rio Grande do Sul. O escritório, onde encaminha relações comerciais com empresas brasileiras – principalmente de avicultura – tem sede em Santa Cruz do Sul, cidade cerca de 200 quilômetros distante da capital. Mas abater os colorados transformou-o em estrela do dia seguinte, e Mumbala foi até Porto Alegre conceder entrevistas.

E o vice-cônsul não festejou sozinho. Encontrou-se com o primo Francis Mwanza, estudante de Computação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ambos sorridentes, não se furtaram a declarar a torcida pelo rival do Inter, em retribuição ao carinho dirigido pelos gremistas desde a vitória de terça:

– No meu país sou Mazembe. Quando morei em Brasília, torci pelo Santos. Mas agora sou do Grêmio – garante Mumbala.

Em Santa Cruz do Sul eles assistiram ao jogo na casa de um empresário, que chegou a confeccionar camisas brancas com a inscrição ‘Mazembe’ em preto. Mais de 50 pessoas participaram do encontro, considerado ‘pé-quente’.

– Foi muito quente mesmo a nossa sorte – disse Mumbala.

Da República Democrática do Congo, ele recebeu mais de dez telefonemas.

– Foram mais de dez ligações dos amigos e parentes. Eles sabem que moro em uma cidade gaúcha, queriam saber como foi minha torcida aqui – contou.

Francis foi ainda mais longe: tirou sarro dos colorados na sala de aula, apoiado pelos colegas tricolores.

– Fizemos muito barulho na aula. Os colorados começaram a fugir, eles se esconderam de mim – lembrou, provocando risos no primo.