Gre-Nal: Indícios de uma disputa em alto nível

Grêmio e Inter têm equipes entrosadas e jogadores em boa fase

Gangorra, o brinquedo dos parquinhos infantis, costuma ser a metáfora mais utilizada no dialeto do futebolês gaúcho. A analogia refere-se às oscilações que provocam desequilíbrio técnico nas fases de Inter e Grêmio: quando uma equipe está bem, invariavelmente a outra vai mal. Acima e abaixo. Dificilmente equiparados.

Mas o Gre-Nal das 18h30m deste domingo promete apresentar no Estádio Olímpico um embate de nível mais elevado, com tricolores e colorados candidatando-se a protagonistas do clássico 383. Categoria que certamente contará com o aguerrimento que caracteriza os rivais.

D’Alessandro e Douglas são os regentes. Nas duas áreas, os artilheiros Jonas e Alecsandro defendem bons números. O bicampeão da América, às vésperas do Mundial de Clubes, visitando a equipe de melhor campanha do segundo turno do Brasileirão, em busca de vaga na Taça Libertadores.

Um ponto separa colorados e gremistas na tabela. Após 30 rodadas, o Inter está na 6ª colocação, com 47 pontos; o Grêmio, 8º colocado, tem 46.

O Gre-Nal 382 ocorreu em 1º de agosto deste ano, no Estádio Beira-Rio, com empate em 0 a 0. Foi pela 12ª rodada do Brasileirão 2010. À época, Silas treinava o Grêmio. Além dele, o zagueiro Rodrigo, recém-contratado pelo Inter, também estava no Tricolor.

Outras ausências na comparação com o empate anterior são Taison, Sandro, Everton e Fabiano Eller, negociados pelo Inter. E Hugo, outro jogador que deixou o Grêmio.

*Grêmio e Inter formaram sua história de rivalidade em 382 partidas. A vantagem é colorada, com 144 triunfos, contra 120 do Tricolor e 118 empates. O Inter marcou 542 gols. O Grêmio fez 503.

*Houve Gre-Nal 118 vezes no Olímpico. Jogando em casa, o Grêmio leva vantagem, com 40 vitórias, 33 derrotas e 45 empates.

*Nos últimos 15 Gre-Nais válidos pelo Campeonato Brasileiro, apenas três tiveram mais de dois gols marcados – nas vitórias do Inter por 3 a 1 no Olímpico em 2004 e por 4 a 1 no Beira-Rio em 2008 e na vitória gremista por 2 a 1 este ano.

Grêmio: recuperando o status de ‘Maestro’ que tinha no Corinthians, Douglas vive sua melhor fase deste a chegada ao Grêmio, no início do ano. Com Renato Gaúcho, ganhou liberdade e se destaca no meio-campo.

Inter: Andrés D’Alessandro costuma desequilibrar em Gre-Nais. O argentino foi a campo em oito clássicos gaúchos. Marcou três gols, um deles na goleada de 4 a 1 pelo Brasileirão de 2008, jogo em que também deu o passe final para os outros três gols do Inter.

Escalações:

Grêmio: Não há desfalques, pelo menos não na comparação com as escalações recentes. Mário Fernandes e Souza seguem de fora, mas o meia integra a relação dos 22 convocados pelo técnico Renato Gaúcho para a concentração. Adilson perdeu a titularidade para Vilson. André Lima volta após lesão no joelho esquerdo.

O time deve ter Victor; Gabriel, Paulão, Rafael Marques e Fábio Santos; Fábio Rochemback, Vilson, Lúcio e Douglas; Jonas e André Lima.

Inter: Celso Roth tem time quase titular para o Gre-Nal do Olímpico. Ele poderá demonstrar qual o sistema que mais o anima, o 4-4-2, com Rafael Sobis adiantado e Giuliano em lugar de Tinga, ou o 4-5-1, com o atacante desempenhando função de meia-ofensivo pelo lado esquerdo.

Escalação provável: Renan, Nei, Bolívar, Índio e Kleber; Wilson Matias, Guiñazu, Giuliano. D’Alessandro e Rafael Sobis; Alecsandro.

Celso Roth minimiza atrito com Douglas Costa

Grêmio decide promover treinos fechados de agora em diante

Técnico argumenta que uso de palavrões faz parte de sua metodologia

Técnico argumenta que uso de palavrões faz parte de sua metodologia (Crédito: Ricardo Rímoli)

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O técnico Celso Roth não gostou nem um pouco da repercussão que ganharam os xingamentos que ele dirigiu ao jogador Douglas Costa, culpando a imprensa pelo episódio. Mais do que isso, o treinador não reconheceu ter cometido exagero ao reeprender o jogador em treino. Por isso, para evitar novos atritos e mais mídia negativa, a direção do Grêmio optou por uma decisão drástica: irá manter os portões do Olímpico fechados mas em todos os treinos da equipe daqui por diante.

A promessa veio do vice-presidente de futebol, André Krieger. Embora o dirigente tenha reconhecido que “os termos usados por Roth não foram os apropriados”, Krieger saiu em defesa do treinador, argumentando que ele “às vezes age como pai”.

– Se fosse outro jogador, a imprensa não daria toda essa importância – ressentiu-se Roth nesta quinta-feira em entrevista coletiva em Caxias do Sul, onde o Grêmio enfrenta o Caxias à tarde, completando:

– Eu tenho formação para tratar com jovens, tenho minha metodologia. O problema é que o meu consultório é aberto, é um campo de futebol.

Nas últimas semanas, críticos do técnico na imprensa vinham reclamando o trabalho do treinador por manter Douglas Costa, grande revelação do Grêmio em 2008, no banco mesmo quando o time escalado é reserva.

Em meio as discussões em torno do fato, no treino aberto de quarta-feira passada, Roth se irritou com o jogador e o repreendeu rispidamente, com o uso de palavrão: “Velocidade é a única coisa que você tem. Você está fisicamente aqui, mas parece que a cabeça não está. Você acha que sabe tudo, mas não sabe m… nenhuma”.

Tricolor toma quatro e provoca Gre-Nal

Com reservas, Grêmio é batido em Caxias do Sul e enfrenta clássico

Celso Roth xingou Douglas Costa e acabou perdendo o jogo

Celso Roth xingou Douglas Costa e acabou perdendo o jogo (Crédito: Ricardo Rimoli)

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O ar rarefeito da Serra gaúcha fez mal não apenas aos argentinos Herrera e Maxi López, mas a todo o time do Grêmio. Na tarde desta quinta-feira, no Centenário, em Caxias do Sul, o Caxias aplicou uma humilhante goleada de 4 a 0 no Tricolor – que atuou com os reservas, é verdade, mas a História não faz essas diferenças.

Foram quatro punhaladas no coração dos torcedores do Grêmio, duas em cada tempo. Com os resultados paralelos, a goleada teve a seguinte conseqüência: vai haver Gre-Nal no próximo domingo, no Beira-Rio. E terça-feira haverá jogo da Libertadores, contra o Aurora.

Desentrosado e com algumas atuações individuais decepcionantes, o time de Celso Roth foi uma mediocridade só.

O Caxias começou fechado e atuando no contra-ataque. Aos poucos, dominou o meio-campo. Marcou seu primeiro gol, aos 29, aproveitando trapalhada da zaga – Marcos Dener recolheu a sobra e chutou forte, de cima. E aproveitou o desequilíbrio geral do Tricolor para marcar o segundo dois minutos depois: Mika até se abaixou para cabecear, colhendo uma bola de escanteio.

O técnico Celso Roth mandou um Grêmio todo modificado para o segundo tempo. Mudou o esquema, do 3-5-2 para o 4-4-2, ao trocar o zagueiro Héverton pelo atacante Róberson; e, ao tirar Douglas Costa (alegadamente por lesão no joelho esquerdo), passou Makelelê para o meio-campo e fez entrar Tiaguinho na lateral-direita. O pecado de Roth: preferiu deixar em campo o zagueiro Fábio Ferreira, que não atuava há quatro meses.

Ficou uma confusão maior ainda, pois fragilizou uma defesa que já estava cheia de furos. Aos 3 minutos, o volante Júlio César errou em bola dentro da área, Júlio Madureira pegou a sobra e marcou o terceiro gol.

Aos 8, o velocíssimo Marcos Dener escapou do meio do campo, chegou na cara de Victor e mandou no canto esquerdo.

Depois, foi só administrar. O Caxias se fechou, suportou a leve pressão do Tricolor e esteve sempre mais perto de fazer o quinto gol do que tomar o primeiro.
FICHA TÉCNICA

CAXIAS 4 x 0 GRÊMIO

Estádio: Centenário (Caxias do Sul, RS)
Data-hora: 02/04/2009 – 15,45h (horário de Brasília)
Árbitro: Anderson Daronco
Auxiliares: Paulo Conceição e Cristiano Henning
Renda e público:
Cartão amarelo: Mika (C), Thiego, Júlio César, Maxi López (G)
Gols: Marcos Dener 29, Mika 31 do primeiro tempo; Julio Madureira 3, Marcos Dener 8

CAXIAS: Muriel; Daniel, Santin, Vágner Lima e Brida; Bruno, Mika, Roberto e Guilherme (Crivellaro 26/2T); Júlio Madureira (Anderson 44/2T) e Marcos Dener (Marcus Vinicius 41/2T). Técnico: Argel.

GRÊMIO: Victor; Fábio Ferreira, Thiego e Héverton (Róberson, intervalo); Makelelê, Júlio César, Maylson (Diogo 15/2T), Douglas Costa (Tiago, intervalo) e Jadílson; Herrera e Maxi López. Técnico: Celso Roth.