Goiás ignora estreia de Renato Gaúcho, vence o Grêmio e avança

No Olímpico, Esmeraldino faz 2 a 0 sobre o Tricolor e vai às oitavas da Sul-Americana. Técnico gremista terá trabalho árduo pela frente

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Na cabeça dos tricolores, era para ser noite de Grêmio. Renato Gaúcho, símbolo das maiores glórias do clube, estreava como técnico. O Olímpico era todo clima de recomeço e expectativa pelo fim da má fase. Para o Goiás, nada a favor. O empate por 1 a 1 no Serra Dourada, semana passada, dava aos gaúchos o direito de empatar sem gols para chegar às oitavas de final da Copa Sul-Americana. O jogo começava com o adversário em vantagem.

Apesar de toda a atmosfera desfavorável, o time do técnico Emerson Leão foi frio, fez o suficiente para garantir a vaga e vai continuar na disputa continental. A vitória por 2 a 0, gols de Amaral e Everton Santos, dá ânimo para a recuperação do time no Campeonato Brasileiro e fôlego para fugir da zona de rebaixamento. O Esmeraldino terá pela frente o classificado do duelo entre Peñarol-URU e o vencedor da chave C (Univ. César Vallejo–PER x Barcelona-EQU).

Os gremistas, que não vencem há nove jogos (sete pelo Brasileiro e dois pela Sul-Americana), reclamaram muito da arbitragem de Paulo César Oliveira, que anulou um gol legal de André Lima quando o placar apontava 1 a 0 para os visitantes. Renato Gaúcho vai ter de trabalhar duro. Ele mesmo reconheceu que o caminho é longo, que a recuperação do time vai ser difícil e que conta com o apoio da torcida, tão apaixonada por ele, para brilhar como técnico do clube que o revelou.

Os times voltam a se enfrentar em Porto Alegre neste domingo, só que pelo Brasileirão. A partida ser às 18h30m (de Brasília). Ambos estão no Z-4. O Goiás é o 17º, enquanto o Grêmio é o 18º.

Todos os olhos do Olímpico sobre Renato Gaúcho. O ídolo máximo do Grêmio pisou pela primeira vez na área técnica do Monumental como treinador do time. Dia histórico para o clube, mas longe de ser perfeito. O Tricolor anda perdido em campo e isso ficou claro desde os primeiros minutos do primeiro tempo contra o Goiás. Nem mesmo toda a energia positiva criada para receber o comandante surtiu efeito. Faltou tudo. Sobrou nervosismo.

A vantagem de jogar por um empate sem gols durou oito minutos. Em uma das primeiras tentativas goianas na bola aérea, Wendel Santos cruzou da direita, e Amaral, livre de marcação, cabeceou para abrir o placar: 1 a 0, resultado que classificaria o Goiás. Empolgada por ver Renato no banco, a torcida tricolor não se abateu. Tratou de berrar forte para acordar os atletas.

O time gaúcho foi montado pelo interino Andrey Lopes com a ajuda de Renato via telefone. O esquema 4-5-1 prejudicou Jonas. Isolado, o atacante tentou um chute cruzado, trombou algumas vezes com os zagueiros, mas se viu obrigado a buscar jogo. Douglas, muito vaiado, e Souza pouco fizeram. Passes de lado e quase nada de criatividade. Desatenta, a defesa cansou de bater cabeça. Aos 37, o goleiro Marcelo Grohe, substituto de Victor, que voltou da Seleção Brasileira nesta quinta, não se entendeu com Neuton. O zagueiro recuou de cabeça, e a bola quase entrou.

Emerson Leão organizou o Goiás para jogar nos erros do Grêmio. O Esmeraldino investiu forte na jogada aérea e nos contra-ataques. Bernardo, Everton Santos e Rafael Moura foram sempre perigosos. Aos 43, Grohe deu novo susto. O goleiro deixou a bola para os zagueiros, os zagueiros deixaram para o goleiro, e Rafael Marques teve de afastar o perigo antes que um adversário completasse.

Do banco, não era o que Renato gostaria de ver. Ora de braços cruzados, ora com as mãos na cintura, o treinador orientava jogadores que ainda não conhece. Ele chegou a Porto Alegre no início da tarde e mal teve tempo de se apresentar.

O Goiás poderia ter ampliado. Aos 45, o zagueiro Rafael Toloi ficou sozinho na área, bateu bonito para o gol, mas errou o alvo por muito pouco. Sob vaias, os gremistas deixaram o gramado rumo ao vestiário. Renato foi aplaudido.

Grêmio acorda, pressiona, mas cai

Jonilson Goiás Souza GrêmioJonilson e Souza em disputa de bola no Olímpico
(Foto: Ag. Estado)

O Grêmio não pode ter perdido completamente o bom futebol que demonstrou no primeiro semestre. Prova disso foi o início animador do segundo tempo. Em cinco minutos, Jonas e Maylson, duas vezes cada, quase empataram. Se não era brilhante, o time ao menos se mostrava aguerrido, corria muito mais. Aos nove, o volante Ferdinando brigou pela bola na entrada da área adversária, bateu cruzado, mas o chute saiu torto. Um gol do Grêmio levaria a decisão para os pênaltis.

O Goiás pareceu assustado, se encolheu no campo de defesa e em alguns momentos fez de tudo para ganhar tempo. Aos 15, Renato decidiu mudar. Chamou Hugo para ocupar o lugar de Maylson, que vinha sendo uma boa opção. Souza ficou em campo porque melhorou muito. Com a braçadeira de capitão, chamou o jogo, caiu pela esquerda, pela direita, chutou para o gol. Aos 19, quase empatou. O bomba de pé direito desviou na defesa verde antes de sair.

À procura de gols, Renato Gaúcho tirou Douglas e colocou André Lima na frente. Leão também mudou. Bernardo saiu para a entrada de Rithely, e Marcão entrou no lugar de Júnior, machucado. A mexida do gremista funcionou melhor, e a equipe ganhou força ofensiva. Aos 30, um fio de esperança tricolor. Edilson cruzou para a área, Jonas chutou, e o goleiro Harlei abafou. No rebote, André Lima cabeceou para o gol vazio. Houve um momento de dúvida da arbitragem, o auxiliar Ednilson Corona chegou a correr para o meio-campo, mas o árbitro Paulo César Oliveira anulou o lance e bancou impedimento de André. O jogador estava em condição legal.

No desespero, o Grêmio tentou, mas faltou força. O Goiás tirou proveito da situação para definir. Aos 44, Everton Santos bateu cruzado, de dentro da área, e venceu Marcelo Grohe. “Tem de melhorar muito”. Foi como resumiu Renato Gaúcho ao deixar o gramado do Olímpico.

GRÊMIO 0 X 2 gOIÁS
Marcelo Grohe, Edilson, Rafael Marques, Neuton e Fábio Santos; Willian Magrão, Ferdinando, Maylson (Hugo), Douglas (André Lima) e Souza (Roberson); Jonas. Harlei, Wendel Santos, Ernando, Rafael Toloi e Júnior (Marcão); Amaral, Jonilson, Wellington Monteiro e Bernardo (Rithely); Everton Santos e Rafael Moura.
Técnico: Renato Gaúcho. Técnico: Emerson Leão.
Gols: Amaral, aos oito do primeiro tempo. Everton Santos, aos 44 do segundo tempo.
Cartões amarelos: Willian Magrão, Neuton e Edilson (Grêmio); Rafael Moura e Wendel Santos (Goiás).
Estádio: Olímpico, em Porto Alegre. Data: 12/08/2010. Árbitro: Paulo César Oliveira. Auxiliares: Ednilson Corona e Emerson Augusto de Carvalho.