André Lima, o ‘Guerreiro Imortal’, encara o passado contra o Botafogo

Egresso de família botafoguense, centroavante indentifica-se com o Grêmio

Na savana dos hostis territórios adversários, André Lima espreita. Identifica a presa vulnerável e aproxima-se. Dissimula a verdadeira intenção. Mãos à cintura, apenas aguarda o sinal. Ludibriada, a vítima iminente pensa dominar a situação.Então a bola parte, lançada pelo alto. André Lima antecipa-se ao zagueiro inerte, passa à frente. Impulsiona o corpo, salta, alcança a bola, e de cabeça dispara. Abate. É gol do Grêmio. É gol do camisa 9, do ‘Guerreiro Imortal’, cuja chuteira do pé direito carrega a inscrição que declara a identiticação com a torcida que lhe adotou.

Tamanho vínculo recente com o Grêmio motiva André Lima a repetir os mesmos movimentos precisos de um goleador contra o Botafogo. Mesmo que o adversário deste domingo seja o clube escolhido pelo coração de sua família. Natural do Rio de Janeiro, o centroavante gremista nasceu em meio a botafoguenses, e no Alvinegro carioca viveu grande fase, em 2007.

– Ali começou minha vida – diz, recordando o quarteto formado por ele, Dodô, Jorge Henrique e Zé Roberto.

Não há, entretanto, conflito de sentimentos. Embora jovem, André Lima demonstra maturidade suficiente para dissociar o passado e o presente. Agora ele vive pelo Grêmio e para o Grêmio, tanto que se declara tão ‘Imortal’ quanto o próprio clube:

– Não escondo de ninguém que sou de uma família botafoguense. Mas é o Grêmio que eu defendo, e por ele vou dar a vida. A identificação com o Grêmio supera tudo. Vou honrar essa camisa como sempre honrei.

No rival das17h deste domingo, ele ainda tem amigos. Muitos. Cita o goleiro Jéfferson, o meia Lúcio Flávio e o atacante Jóbson – ‘é um grande jogador, torço para que dê um rumo na vida’ – afirma.

É o Grêmio que defendo, por ele vou dar a vida”
André Lima

Em 20 jogos pelo Brasileirão 2010, marcou 10 gols. Forma dupla de exceção com Jonas, lembrando a boa fase de três anos atrás, quando apavorava zagueiros ao lado de Dodô. Sem fazer comparações, André Lima descreve a sintonia atual como algo que necessita apenas do contato visual.

– Eu nunca tive uma dupla assim, tão expressiva, como essa com o Jonas. Fiz outra dupla com o Dodô no Botafogo, onde nasci para o futebol. Mas aqui a gente se entende no olhar, em tão pouco tempo tudo começou a dar certo.

Alerta vermelho
André Lima recém chegara a Porto Alegre, na metade do ano. Em sua primeira corrida de táxi pela capital gaúcha, foi parar logo no carro de um motorista colorado. E o torcedor do Inter alertou o novo centroavante do Grêmio: para dar certo no Olímpico, é preciso ser guerreiro. Sorte do jogador, que sempre se considerou um batalhador em campo.

– É até engraçado. A primeira vez que andei de táxi em Porto Alegre peguei um taxista colorado. E ele me disse: ‘No Grêmio você pode perder 20 gols, mas se der a vida, vai ser amado’. E eu sempre fui assim, guerreiro, por onde passei. Foi um casamento com o Grêmio. É meu estilo de jogo, e é o estilo do Grêmio também.

Em busca do ‘trapo’
Quando corre para comemorar em frente à torcida de inspiração sul-americana, André Lima sente falta de algo. Quer reconhecer a própria imagem em meio aos ‘trapos’, como são chamadas as faixas com figuras de jogadores e frases de incentivo ao time. Do grupo atual, apenas Jonas e o técnico Renato Gaúcho contam com tal honraria.

Mas André Lima aposta nesta identificação, neste casamento, para permanecer no clube, e conquistar ainda mais crédito entre os gremistas.

– Estou vivendo um casamento com a torcida. Com essa receptividade, fico muito feliz de estar no Grêmio. Já passei por muitos clubes, mas posso dizer que torcida igual a essa não há.

O trapo não está confeccionado, mas o GLOBOESPORTE.COM ajuda André Lima a imaginar o resultado. Nas inscrições, lógico, a alcunha assumida pelo artilheiro no Grêmio: o ‘Guerreiro Imortal’:

Montagem bandeira André Lima grêmioArte sobre foto de André Lima comemorando gol (Arte: Globoesporte.com/Foto: Edu Andrade, Ag. Estado)