Renato Gaúcho não vê empecilho para ficar: ‘É só acertar o contrato’

Técnico diz que assuntos alheios não serão levados em consideração

Desde o início da semana, quando dirigentes e técnico do Grêmio trocaram insinuações em entrevistas, a permanência de Renato Gaúcho foi colocada em dúvida. Ele precisa renovar contrato ao final do Brasileirão para seguir no Grêmio, e as negociações se desenvolvem em meio à transição política provocada pela troca na presidência.O clima quase belicoso poderia inviabilizar a continuidade do treinador responsável pela melhor campanha do segundo turno. Renato garante, entretanto, que apenas uma coisa influirá: o contrato:

– Tem uma diferença grande entre querer ficar, e ficar. Eu já disse que quero ficar. É só acertar o contrato. Se acertar o contrato, eu fico. Se não acertar, eu não fico.

Nem mesmo uma suposta inadaptação de Renato ao excessivo assédio dos gremistas, que o impedem de circular naturalmente pela cidade, é empecilho.

– Minha vida é muito agitada em qualquer lugar que eu vivo. Aqui é um pouco mais pelo que eu represento para a torcida. Sou muito feliz aqui, é melhor com todas as pessoas pedindo fotos e autógrafos, mesmo sem muita privacidade. Eu amo a torcida do Grêmio. Se eu acertar o contrato, não tem nenhuma outra situação para influenciar nisso. É A ou B, ou acerta o contrato, ou não acerta. Só isso.

Renato também descarta qualquer ressentimento após a discussão pública travada com integrantes da gestão Paulo Odone. Com a bandeira branca hasteada após reunião diretiva, o clima é de paz para o técnico.

– Está tudo tranquilo, tudo em paz. Minha cabeça e meu pensamento estão voltados para o meu grupo, e os jogadores também estão com o pensamento voltado para o jogo de amanhã (sábado). Precisamos fazer o dever de casa, vencer a equipe do Ceará. Do resto, não tenho nada a comentar. (…) Não quero voltar a falar neste assunto porque eu quero o bem do Grêmio. E o bem do Grêmio é disputar a Libertadores. Que eu tenho o apoio da torcida eu nunca duvidei. A torcida tem que me apoiar, apoiar o time, a atual diretoria, a nova diretoria. A vaga na Libertadores está próxima, e enquanto tivermos chances temos de lutar por ela.

Nesta sexta-feira, enquanto Renato Gaúcho concedia entrevista coletiva, o empresário Gérson Oldenburg – seu representante – reunia-se com Antônio Vicente Martins, futuro vice-presidente de futebol do clube, alinhavando a renovação. E o treinador promete não prever no contrato uma eventual multa rescisória:

– Com o Grêmio eu não ponho cláusula de multa. Eu não quero o dinheiro do Grêmio. Nunca vai ter multa comigo e com o Grêmio, ou para eles me mandarem embora, ou para eu sair. Por isso que o tempo de contrato não me diz muita coisa, posso renovar por dois anos, um ano, seis meses, não vai fazer diferença. A hora que eu me sentir mal eu vou embora, e eles também não terão atrito quando quiserem me mandar embora. Só com o Grêmio:

Dirigente considera inadequadas declarações de Renato Gaúcho

Antônio Vicente Martins repercute entrevista do técnico do Grêmio

Assim que se encerrou a partida no Estádio Serra Dourada, na quarta-feira à noite, Renato Gaúcho apresentou-se à entrevista coletiva. Comemorava a vitória do Grêmio sobre o Goiás por 2 a 0, mas a pauta da conversa com os repórteres foi outra.O treinador gremista repudiou notícias vinculadas à nova diretoria, que assume os cargos em dezembro, sobre planos de dispensas e contratações. Falou alto e forte, pedindo que ‘calassem a boca’.

Nesta quinta-feira, em entrevista ao programa ‘Hoje nos Esportes’ – da ‘Rádio Gaúcha’ – o futuro vice-presidente de futebol do clube, Antônio Vicente Martins, repercutiu as declarações. E também se posicionou com alguma contundência:

– Não queremos fazer qualquer repercussão, mas não podemos deixar de dizer que foram manifestações inadequadas. A nova diretoria é eleita em outubro exatamente para planejar o futebol para o próximo ano. E nós só fizemos contatos para o novo diretor-executivo, e para o técnico, que foi com o Renato.

Vicente lembrou que cada um tem uma função específica. Sugerindo que a dele é dirigir, e a de Renato, treinar.

– Nossa atribuição é dirigir o clube. A atribuição do treinador é dirigir o time. Para nós é um episódio que já se encerrou. Cada um tem sua atribuição dentro do clube, e eu tenho certeza que o Renato em hipótese alguma estava questionando isso quando deu a entrevista.