Grêmio recebe o Atlético-GO no Olímpico

Tricolor gaúcho está apenas uma posição acima da degola

O Grêmio volta ao Olímpico, nesta quarta-feira, às 19h30, todo animado para o jogo contra o Atlético-GO. Motivo: o empate com o Botafogo no Engenhão, depois de estar perdendo por 2 a 0.

Aquele resultado, além de comprovar a fase de inconformismo dos jogadores, manteve a equipe na 16ª posição, isto é, fora da zona de rebaixamento. E apontou para um tendência de recuperação – de empates fora de casa e vitórias dentro.

Nas últimas três rodadas, o Grêmio empatou com o Atlético-PR e o Botafogo como visitante, intercalando esses resultados com um 1 a 0 sobre o Guarani como mandante.

– Se vencermos os goianos, vamos ganhar moral para encarar o Corinthians no Pacaembu, talvez até para conseguir a primeira vitória fora de casa – projetou o capitão Fábio Rochemback.

Esse é um trauma a superar. Afinal, o Tricolor não vence longe do Olímpico em Brasileiros desde o ano passado. Dia 14 se completará um ano da vitória sobre o Náutico nos Aflitos.

Torcida é que não deve faltar. Na semana passada, com um ingresso valendo para dois gremistas, 30 mil foram ao Olímpico incentivar o time contra o Bugre. Dessa vez, a promoção é de simples redução do preço à metade. Há muito otimismo. A própria ausência do melhor jogador do Atlético-GO, Elias, para muitos é sinal de que a sorte está mudando para o lado do Tricolor.

O Grêmio vai com força máxima. Todos os lesionados se recuperaram: o zagueiro Vilson, de uma pancada no joelho direito; o volante Fábio Rochemback, de torção no tornozelo esquerdo; o meia Douglas, de dores pubianas; e Fábio Santos, que foi poupado contra o Botafogo, ocupará de novo a lateral-esquerda.

Criticado por ter iniciado com o lateral-esquerdo reserva Gilson no meio-campo contra o Botafogo, Renato saudou a recuperação de seus titulares.

– Por mim, mantenho a mesma escalação sempre – afirmou.

Boas lembranças para o Atlético-GO:

Já o Atlético-GO tem boas lembranças da casa do adversário desta quarta-feira . Em 2008, o Dragão eliminou os gaúchos da Copa do Brasil nos pênaltis, com grande atuação do goleiro Márcio. Tão experiente quanto Márcio, o volante Ramalho ainda não fazia parte do elenco e agora destaca o clima favorável que o time atravessa nos últimos jogos.

– O clima aqui sempre foi bom, desde que cheguei. Com a chegada do René, a auto-estima melhorou bastante, alguns jogadores voltaram a desempenhar um bom futebol, como o Elias, e isso é bom. A gente cresce dentro de campo e tem obtido os resultados, e espero que continue assim – afirmou o volante.

A delegação está em Porto Alegre desde segunda-feira e fez um treinamento na tarde desta terça-feira na capital gaúcha. O técnico René Simões tem vários problemas para montar o time rubro-negro. São quatro desfalques importantes: o zagueiro Welton Felipe e o atacante Marcão ainda estão no departamento médico, enquanto os meias William e Elias, artilheiro do Brasileirão ao lado de Bruno Cesar com 9 gols, estão suspensos pelo terceiro cartão amarelo.

A boa notícia é a provável volta de Róbston, que se recuperou de lesão muscular e foi relacionado para a partida. Outras surpresas da relação foram o lateral direito Dida e o atacante Carlinhos Bala, que pode até começar a partida. Na zaga, Jairo deve fazer dupla com Daniel Marques, e no meio, Anaílson deve ser a opção utilizada.

FICHA TÉCNICA:

GRÊMIOX ATLÉTICO-GO

Local: Olímpico, em Porto Alegre (MG)
Data e hora: 8 de setembro, às 19h30 (horário de Braasília)
Árbitro: José de Caldas Souza (DF)
Auxiliares: Carlos Berkenbrock(SC) e Cesar Augusto de Oliveira (DF)

GRÊMIO: Victor; Gabriel, Vilson, Rafael Marques e Fábio Santos; Fábio Rochembach, Adilson, Souza e Douglas; Jonas e Borges. Técnico: Renato Gaúcho.

ATLÉTICO-GO: Márcio, Victor Ferraz, Daniel Marques, Jairo e Thiago Feltri; Ramalho, Pituca, Róbston (Agenor), Diguinho e Anaílson; Juninho. Técnico: René Simões

O estilo Renato: morde e assopra ao mesmo tempo

Treinador usa experiência como jogador no trato diário com o elenco: ‘Não adianta eles quererem me enganar’

Nem só rosnadas, nem só carinhos. Renato Gaúcho tenta conquistar o elenco do Grêmio fazendo uma espécie de mescla de características. Ele diz que cobra forte os boleiros, mas que também os trata com delicadeza. No contato diário, o treinador lembra dos tempos de atleta e usa sua experiência em vestiário para manter a casa em ordem.

É uma questão de malandragem. Na prática, Renato conhece o discurso dos jogadores, tem intimidade até com as desculpas que eles inventam quando cometem alguma infração. E ele duvida que possa ser enganado por seus comandados.

– Eu olho para o jogador e digo que não tem trairagem comigo. Não tem sacanagem. Não adianta quererem me enganar, porque eu fiz isso há 20 anos. Não vai me enganar. Vai querer mentir, mas não vai conseguir. Não faço nada de anormal. Mas me enganar, não vão. Se tiver que tomar uma atitude mais radical, vou tomar. Mas não vai ser preciso, porque vou ganhar o jogador na conversa. Eu sei o que o jogador gosta de escutar. Mas se tiver uma ovelha negra ou uma laranja podre, pode procurar outro clube, pode ir embora. No meu diálogo, eu tiro tudo deles.

Renato Gaúcho, GrêmioÍdolo histórico do clube, Renato transforma prestígio em argumento nas conversas (Foto: AE)

Renato tenta ficar no meio-termo entre o estilo paizão e o disciplinador. Ele procura levar o elenco na conversa.

– Tem que morder a assoprar ao mesmo tempo. Não adianta ser só uma coisa ou outra. É fundamental o cara conhecer o vestiário. Se me colocarem de gerente de banco, eu quebro o banco em dois dias. Não sei nada sobre isso – afirmou o treinador.

Ídolo histórico do Grêmio, Renato usa seu prestígio para conquistar o elenco. Ele deixa a hierarquia clara ao lembrar a importância que tem para o clube.

– Falei para eles que não estão falando com Zezinho ou Manoelzinho. Eles sabem o que eu represento para esse clube. Não vão medir forças comigo.

Renato disse que, nos tempos de jogador, tentou e até conseguiu enganar treinadores. Mas fez uma ressalva: na hora de a bola rolar, ele resolvia.

– De vez em quando, eu enganava. Eu era esperto. Mas eles me aliviavam. Se o cara fizer alguma coisa e me disser “deixa que eu resolvo”, eu o deixo em casa dormindo. Eu falava isso para meus treinadores: “Deixa que eu resolvo”.