Grêmio recebe o Náutico no Olímpico

Com apenas quatro pontos, Tricolor tenta se recuperar em casa


Com apenas quatro pontos em doze disputados, o Grêmio encara o jogo contra o Náutico, nesta quinta-feira, no Olímpico, como a melhor oportunidade para deflagrar sua recuperação no Brasileiro.

O Tricolor vem de derrota de 1 a 0 para o Vitória, no Barradão. Antes disso, vencera o Botafogo em casa, por 2 a 0 – na estréia de Paulo Autuori. Entre essas duas partidas, um empate pela Libertadores – 1 a 1 com o Caracas, na Venezuela. As duas últimas atuações foram preocupantes.

A partir delas, os gremistas pediram que Autuori apressasse as mudanças, tanto de esquema tático quanto de jogadores. Mas o comandante pediu paciência.

— Não posso fazer isso numa reta final de Libertadores. Preciso dar segurança aos jogadores, principalmente aos do sistema defensivo, que vem se saindo tão bem – explicou. A única novidade será Marcelo Grohe no gol, no lugar do convocado Victor.

Assim, os zagueiros continuarão a ser três – Leo, Rafael Marques e Réver; Ruy e Fábio Santos, a atuar como alas e não laterais; o meio, com um volante e dois armadores; e dois atacantes.

Tcheco, ausente domingo devido a desgaste físico, estará de volta ao meio-campo. Com isso, Túlio volta para o banco de reservas.

— O Tcheco é o jogador mais importante do Grêmio. Sem ele, o time custa a andar – disse Souza.

Alex Mineiro iniciou a partida contra o Vitória. Estava mal e foi substituído no intervalo por Jonas, o antigo titular. Mas este foi expulso. Então, Alex Mineiro recebe nova chance ao lado de Maxi López. Fora de casa, seu problema foi falta de movimentação – ele atua centralizado, muito perto do argentino. Mas, dentro do Olímpico, com o time dando sufoco desde o início, isso até pode ser uma vantagem, acredita Tcheco.

Com as linhas de trás se aproximando da dupla de atacantes, termina também o isolamento de Maxi López, do qual, aliás, o argentino reclamou, provocando um atrito com Souza. Autuori chamou os dois e deu mais razão a Souza do que ao argentino – a quem ele pediu que segure mais a bola na frente, esperando a aproximação.

Se o Náutico se fechar demais, o chefe não quer só bola alta sobre a área.

— Quero mais circulação de bola, e paciência na procura de brecha – recomendou.

No Náutico, o técnico Waldemar Lemos deverá manter a estrutura do time que empatou com o Fluminense, mas não terá o zagueiro Asprilla e o volante Derley, que estão suspensos. Para os seus lugares, Negretti deverá entrar na defesa, junto com Vágner e Gladstone, enquanto Júnior Carioca entrará na cabeça-de-área.

Sobre a possibilidade da escalação do atacante Anderson Lessa no time titular, Waldemar Lemos foi taxativo em afirmar que não mudará a dupla Kuki e Gilmar. Anderson Lessa vem se tornando importante ao time, foi autor de dois gols na vitória sobre o Atlético-PR por 3 a 2 e ainda sofreu um pênalti contra o Fluminense.

– Não posso ficar mudando sempre a escalação do time, a não ser, quando for de extrema necessidade. O ataque anda bem e no caso de Lessa, ele é a arma secreta para o segundo tempo – afirmou Waldemar Lemos.

FICHA TÉCNICA:

GRÊMIO X NÁUTICO

Estádio: Olímpico, Porto Alegre (RS)

Data/hora: 04.06.09 – 21h (de Brasília)

Árbitro: Pericles Bassols Pegado Cortez (RJ)

Assistentes: Wagner de Almeida Santos e Cláudio Jose de Oliveira Soares (RJ)


GRÊMIO:Marcelo Grohe; Leo, Rafael Marques e Réver; Ruy, Adilson, Tcheco, Souza e Fábio Santos; Alex Mineiro e Maxi López.
Técnico: Paulo Autuori.

NÁUTICO: Eduardo, Gladstone, Vágner e Negretti; Sidny, Johnny, Júnior Carioca, Carlinhos Bala e Anderson Santana; Gilmar e Kuki.
Técnico: Waldemar Lemos.

Paulo Autuori está ansioso para enfrentar times brasileiros na Libertadores

Técnico gremista diz que duelo com São Paulo ou Cruzeiro seria como final


Paulo Autuori admite que acompanha análises sobre o grupo gremista

Paulo Autuori aguarda com ansiedade o cruzamento entre Grêmio e um time brasileiro na Libertadores. Caso elimine o Caracas, dia 17, no Olímpico, pelas quartas de final, o Tricolor gaúcho terá São Paulo ou Cruzeiro pela frente. Por coincidência, Autuori já venceu a competição pelos dois clubes – Cruzeiro, em 1997, e São Paulo, em 2005.

– Estou seco, estou doido para que esses jogos aconteçam logo – anima-se o treinador, para quem as partidas contra brasileiros terão o valor de uma final antecipada do torneio.

Diferentemente de Celso Roth, que dizia não ler jornais, nem assistir a programas esportivos, Autuori admitiu estar atento aos comentários sobre sua equipe. Ontem, com um sorriso, ele desdenhou da desconfiança quanto ao potencial do Grêmio, ampliada depois da derrota para o Vitória, no domingo, pelo Brasileirão, e citou o fato de o time ter a melhor campanha até agora para acreditar que é possível passar por Cruzeiro ou São Paulo, adversários considerados superiores.

– Por que não? Uma coisa é o que os analistas falam, outra é quando as equipes se enfrentam. Se precisarem nos enfrentar, eles também ficarão preocupados – disse o técnico, com ar de desafio, apesar de reconhecer que ainda falta ao Grêmio um teste mais forte na Libertadores.

Autuori promete não usar a falta de reforços como desculpa para eventuais fracassos. Para ele, seria “hipocrisia” valer-se de tal argumento, já que sabia das condições do grupo ao assinar contrato. É certo, também, que a desconfiança dos críticos e de parcela da imprensa será usada como fator motivacional.

– Não sou de colocar recortes de jornais nas paredes do vestiário. Mas, como gestor de grupo, acho ótimo o que está acontecendo – diz.