Grêmio encara Caracas pela Libertadores

Tricolor está invicto, venezuelanos não perderam em casa


Invicto na Libertadores, com sete vitórias e um empate, o Grêmio começará a enfrentar dificuldades na noite desta quarta-feira, no primeiro confronto com o Caracas pelas quartas-de-final de competição.

O jogo será visto por um público entusiasmado, que tomará os 24 mil lugares do Estádio Olímpico. “A oportunidade de derrotar o ‘imortal tricolor’ é agora”, como escreve o “El Nacional”. O Caracas vem de uma goleada de 4 a 0 sobre o Deportivo Cuenca, do Equador, no jogo da volta das oitavas. Aliás, venceu todos os seus quatro jogos como mandante.

Apesar disso, o técnico Paulo Autuori não recusa a condição de favoritismo dada ao Grêmio, que venceu todos como visitante. Acha que, com bom futebol e respeito ao adversário, seu time sairá da capital venezuelana com um bom resultado. “Isso contemplaria a lógica, pois apesar dos progressos do futebol venezuelano a superioridade do brasileiro é inconteste”, disse ele.

Para o treinador, que estará em sua segunda partida no comando do time, isso significa vitória. Para o zagueiro Leo, porém, voltar para Porto Alegre com um empate será auspicioso. Como a decisão da vaga será em casa, nem uma derrota por um gol de diferença será considerada de difícil reversão, desde que o Tricolor marque um.

O time gaúcho deve jogar completo. Souza e Réver fazem tratamento para dores musculares, mas garantem que estarão em campo. Túlio será mantido como primeiro volante. Contra o Botafogo, o experiente volante substituiu com vantagem o jovem Adilson, que cumpria suspensão automática. A saída de bola ficou mais inteligente.

Ainda não será nessa partida que Autuori empregará seu esquema tático preferido, o 4-4-2. Continuará no 3-5-2, com o qual a equipe está acostumada. Tudo porque o sistema defensivo está rendendo bem. “Seria perigoso fazer a mudança num jogo dessa responsabilidade”, justificou.

Mas ele quer os alas atuando mais no meio-campo, alternadamente, e os meias Tcheco e Souza armando jogadas pelos lados. E Jonas tem ordens de se aproximar mais do centroavante Maxi López.

Os destaques do Caracas são o goleiro Vega, o zagueiro Rey, o lateral-esquerdo Cichero, o volante Vera, todos da seleção venezuelana, e os atacantes Castellín, 33 anos, e Darío Figueroa, 31, este um argentino formado no River Plate.

FICHA TÉCNICA

CARACAS X GRÊMIO

Local: Estádio Olímpico (Caracas, VEN)
Data-hora: 27/05/2009 – 22h (de Brasília)
Árbitro: Roberto Silveira (URU)
Auxiliares: Miguel Nievas e Marcelo Gadea (URU)

CARACAS: Vega; Romero, Deivis-Barone, Rey e Cichero; Vera, Piñango, Gómez e Emilio Rentería; Castellín e Darío Figueroa. Técnico: Noel Sanvicente.

GRÊMIO: Victor; Leo, Rafael Marques e Réver; Ruy, Túlio, Tcheco, Souza e Fábio Santos; Jonas e Maxi López. Técnico: Paulo Autuori.

Na Venezuela, Grêmio é observado pelo morro Ávila, protetor do Caracas

Adversário tricolor nas quartas de final da Libertadores tem apelido que faz homenagem ao local: ‘Los rojos del Ávila’


Morro Ávila pode ser visto do hotel em Caracas

Nas andanças pela América do Sul, o Grêmio já circulou pelas estradas da Colômbia, encarou a altitude da Bolívia, superou os fantasmas que, segundo os chilenos, circulam pelo Estádio Nacional, em Santiago, e viu de perto o trânsito caótico, quase engraçado, em Lima. Chegou a vez de Caracas. A capital venezuelana tem um pouco de cada uma das cidades visitadas pelo Tricolor na Libertadores. E se mostra idealizada para atletas que ficam confinados em um hotel chique de uma região abastada.


O bairro de Las Mercedes não resume o que é Caracas, assim como Miraflores tinha pouco de Lima. A capital da terra de Hugo Chávez tem pontos ricos, do mesmo jeito que Porto Alegre, Rio de Janeiro ou Buenos Aires. E outros nem tanto. No caminho do aeroporto até o centro de Caracas, há uma sucessão de favelas. Para brasileiros, nada de anormal.


A cidade é bonita. Os prédios, em sua maioria, são velhos, mas há edificações novas, modernas, cheias de luzes. Painéis com mensagens do presidente são comuns. O trânsito não chega a ser o caos de Lima, mas apresenta problemas. Os serviços de telecomunicações, especialmente para contato com outros países, são capengas. O câmbio funciona mais na informalidade do que em lojas oficiais. No aeroporto e nos hotéis, funcionários trocam 1 dólar por 5 bolívares. Os restaurantes maltratam o cliente na conversão: 1 dólar rende 2 bolívares, às vezes um pouco mais.

A realidade de Caracas não abraça os jogadores do Grêmio, que ficam o tempo todo no hotel, quase sempre dentro dos quartos, sem sequer circular pelo saguão. O local da concentração tricolor na Venezuela é cercado pelo morro Ávila, orgulho e um dos principais pontos turísticos da cidade. Os visitantes são sempre aconselhados a pegar o teleférico, ir ao topo do morro e ter uma vista panorâmica da cidade.


De certa forma, o vizinho do hotel gremista é um protetor do Caracas, adversário tricolor nas quartas de final da Libertadores. O clube venezuelano tem um apelido que remete ao morro: Los rojos del Ávila, que significa “os vermelhos do Ávila”, uma menção à cor da camisa do oponente gremista. A população local diz que o morro é o pulmão de Caracas, pela vasta vegetação. É ele que separa a cidade do mar do Caribe.

Autuori avisa: ‘Grêmio é favorito’

Técnico tricolor diz que seria hipocrisia afirmar que clube gaúcho não tem favoritismo contra o Caracas


Paulo Autuori no hotel gremista na Venezuela

O discurso surpreendente mostra que o Grêmio tem um técnico que pensa de forma diferente. Paulo Autuori, em entrevista na manhã desta terça-feira, na Venezuela, disse com todas as letras, e mais de uma vez, que o time gaúcho é o favorito no duelo com o Caracas, nesta quarta, no início da disputa por vaga nas semifinais da Libertadores. O treinador afirma que não gosta de entrar nos clichês do futebol e alegou que seria hipocrisia não indicar o Tricolor gaúcho como favorito.
– O favoritismo se forma pela tradição de um clube e pelo momento que ele vive. E o Grêmio é favorito nos dois. Mas daí até vencer o jogo, tem uma distância muito grande. Se o Caracas chegou nas quartas de final, é porque tem uma boa equipe – comentou Autuori.

O treinador sabe que a declaração pode chegar ao Caracas como sinal de desdém, mas alega que não se trata de menosprezo ao oponente.

– O respeito ao adversário é uma questão da vida, não do futebol. Eu penso que uma pessoa pode dizer que não é favorita e ser prepotente mesmo assim. E outra pode admitir que é favorita sem deixar a humildade.

Paulo Autuori deixou claro que não se sentiria bem ao negar que o Grêmio tem a vantagem no duelo com os venezuelanos.

– Somos favoritos. Nunca vou negar isso. Seria hipocrisia.

O favoritismo do Grêmio contra o Caracas precisará ser comprovado dentro de campo. A bola rola no Estádio Olímpico, na capital venezuelana, às 21h50m (de Brasília) desta quarta.