Chegada de Autuori cria expectativa no Grêmio

Treinador tem diversas opções para montar o time


Como será o Grêmio de Paulo Autuori? Mais defensivo? Dará prioridade ao ataque? Ou será “equilibrado”? Torcida, elenco e imprensa não vêem a hora da revelação. Enquanto Autuori não se apresenta – o que acontecerá segunda-feira, dois dias depois de seu último jogo com o Al Rayyan, do Catar –, fervem as especulações.

Há tensão no elenco. Se o novo técnico for adepto do esquema tático 4-4-2, como se afirma nos corredores do Olímpico, um dos três zagueiros vai sobrar. O mais cotado para a degola seria Rafael Marques, que chegou este ano e tem tido menos destaque do que Leo e Réver. Rafael não gostou dessa conversa.

— Deviam se informar mais, antes de pegar um microfone e sair falando. Eu me lembro que em 2005 no São Paulo o Autuori alternou os dois esquemas, o 4-4-2 e o 3-5-2. Então, não tem nada certo sobre sair do time ou não – protesta o zagueiro.

O interino Marcelo Rospide, que venceu todos os cinco jogos da Libertadores, perdeu a unanimidade ao empatar com o Santos, domingo. O motivo das vaias: trocou um atacante por um meio-campista, deixando o time no 3-6-1 – um dos motivos para a demissão de Celso Roth.

— No fundo ele era outro Roth disfarçado, ou então o espírito do Roth baixou sobre ele – resmunga Isabel Schuck, fanática integrante da organizada “Geral do Grêmio”. Como a grande maioria da torcida, Isabel quer o Grêmio de Autuori jogando “pra frente”, no 4-4-2.

Com os jogadores disponíveis, uma formação possível é: Victor; Ruy, Leo, Réver e Fábio Santos; Adilson, Túlio, Tcheco e Souza; Maxi López e Jonas (ou Alex Mineiro, ou Herrera). Ou seja: sairia Rafael Marques da zaga e entraria Túlio no meio-campo. Um dos efeitos benéficos seria a liberação de Tcheco para armar jogadas de ataque.

— O Tcheco está atuando no sacrifício, como um segundo volante. O esquema atual anula um pouco o talento dele – admite o zagueiro Réver.

Autuori chegará sob a aura do otimismo também por causa de uma coincidência: nas duas vezes que conquistou a Libertadores, em 1997 com o Cruzeiro e em 2005 com o São Paulo, ele pegou as equipes em meio à competição. No Cruzeiro, substituiu Oscar Bernardi; no São Paulo, Emerson Leão.

— Ele sempre chega acrescentando coisas boas – testemunha Alex Mineiro, que em 1997 era um jovem integrante do elenco cruzeirista. Fábio Santos e Souza, do São Paulo de 2005, dizem a mesma coisa.

— Além de grande estrategista, sei que ele sabe estimular o grupo. É um aglutinador – afirma o vice-presidente de futebol do Grêmio, André Krieger.

Autuori levará junto o auxiliar René Weber e o preparador físico Gilvan Santos. Há um mês René vem fazendo anotações sobre o time gremista, com base em observações de jogos e em conversas com o coordenador-técnico Mauro Galvão.