Há 25 anos, Terra ficava ainda mais azul: Grêmio campeão do mundo

Tricolor trouxe título inédito para o Rio Grande do Sul após derrotar o Hamburgo em Tóquio, com dois gols do jovem Renato Gaúcho

Quando os relógios marcaram meia-noite, anunciando o início do domingo 11 de dezembro de 1983, a cidade de Porto Alegre vivia um clima bem diferente do habitual. Ao invés do silêncio, das luzes apagadas e do clima ameno característico do Rio Grande do Sul, as ruas foram tomadas pela animação de milhares de pessoas concentradas em bares, restaurantes ou mesmo nas próprias casas, trajadas nas cores azul, preto e branco. Todas com os olhos fixos na televisão e em uma só atração: a decisão do Mundial Interclubes. Seja roendo as unhas, fazendo algum movimento tenso ou bebendo goles de chimarrão, a expectativa era a mesma: ver o Grêmio ser campeão mundial.

Exatos 25 anos depois, os torcedores gremistas trocam o nervosismo daquela madrugada pela festa de bodas de prata do fato mais marcante da centenária história do clube. Recordam-se da euforia que tomou conta do Rio Grande do Sul após a conquista inédita para o estado e também das comemorações no estádio Nacional de Tóquio, palco do jogo decisivo. Na memória, os dois gols e as jogadas desconcertantes do jovem Renato, 21 anos, contra o Hamburgo (Alemanha), campeão europeu, derrotado por 2 a 1 na prorrogação, após empate por 1 a 1 no tempo normal. Ficaram também as lembranças da habilidade de Mário Sérgio, das defesas de Mazaropi, da garra de De León, da velocidade de Tarciso, do comando de Valdir Espinosa e da importância dos demais heróis tricolores em campo. Mesmo após tanto tempo, essas imagens continuam vivas na mente dos torcedores gremistas que tiveram o privilégio de acompanhá-las.

O caminho tricolor até o título

Campeonato Brasileiro de 1982
Grupo F Grupo J Oitavas Semifinais
São José 1×0 Grêmio Guarani 2×0 Grêmio Vasco 1×1 Grêmio Corinthians 1×2 Grêmio
Grêmio 2×0 Desportiva Maringá 2×2 Grêmio Grêmio 1×0 Vasco Grêmio 3×1 Corinthians
Vitória 0x2 Grêmio Grêmio 0x0 Náutico
Atlético-MG 1×1 Grêmio Grêmio 4×1 Maringá Quartas Final
Grêmio 0x1 Vitória Náutico 0x1 Grêmio Grêmio 1×1 Fluminense Flamengo 1×1 Grêmio
Grêmio 2×0 Atlético-MG Grêmio 2×0 Guarani Fluminense 1×2 Grêmio Grêmio 0x0 Flamengo
Grêmio 1×0 São José Grêmio 0x1 Flamengo
Desportiva 1×0 Grêmio

O caminho do Grêmio rumo ao título mundial começou no ano anterior (1982), na disputa do Campeonato Brasileiro. O time gaúcho foi passando pela diferentes fases da competição com certa dificuldade. Na reta final, cresceu de rendimento e só não conquistou o troféu de campeão porque esbarrou no Flamengo campeão mundial de 81. Contra Zico, Júnior, Raul, Adílio, Tita e cia., o Grêmio perdeu o título nacional em um jogo-extra. Como o primeiro e o segundo colocados conquistavam vaga na Taça Libertadores, o Tricolor carimbou o seu passaporte para a competição sul-americana.

Libertadores da América de 1983
Primeira Fase Semifinal (triangular) Final
Grêmio 1 x 1 Flamengo Grêmio 2 x 1 Estudiantes (ARG) Peñarol (URU) 1 x 1 Grêmio
Blooming (BOL) 0 x 2 Grêmio América (COL) 1 x 0 Grêmio Grêmio 2 x 1 Peñarol (URU)
Bolívar (BOL) 1 x 2 Grêmio Grêmio 2 x 1 América (COL)
Grêmio 2 x 0 Blooming (BOL) Estudiantes (ARG) 3 x 3 Grêmio
Grêmio 3 x 1 Bolívar (BOL)
Flamengo 1 x 3 Grêmio

Reforçado pelo meia Tita (emprestado pelo Flamengo), o Tricolor fez uma ótima campanha na Libertadores de 1983. Logo na primeira fase, deixou para trás o Rubro-Negro carioca. Na fase semifinal, o time se impôs diante de Estudiantes-ARG e do América de Cáli-COL. Na decisão, foi guerreiro ao arrancar um empate com o Peñarol, campeão do ano anterior, no estádio Centenário (Montevidéu). Na segunda partida, no Olímpico, empurrado pela torcida gremista, a equipe venceu por 2 a 1 e sagrou-se campeão. Faltava apenas uma etapa para a consagração total.

Grêmio: melhor do mundo

Ampliar Foto Divulgação/Site Oficial do Grêmio Divulgação/Site Oficial do Grêmio

O capitão Hugo De León levanta a taça de melhor time do mundo em Tóquio, Japão

Mais de 60 mil pessoas lotaram o estádio Nacional de Tóquio para acompanhar a decisão entre o campeão da Libertadores e o da então Copa dos Campeões da Europa. Brasileiros e alemães marcaram presença, mas a grande maioria do público era formada por japoneses, que demonstraram um clara preferência pelo campeão da América. O que os torcedores presenciaram foi um Grêmio muito bem preparado e convicto de seus objetivos.  Foram 136 dias de preparação, desde a conquista da Libertadores em 28 de julho até o Mundial em 11 de dezembro.

Durante este período, houve uma grande preocupação dos dirigentes tricolores em relação à perda de um dos destaques do time campeão da Libertadores. Logo após o título, o meia Tita teve seu empréstimo encerrado com o clube gaúcho. Tanto o jogador como a diretoria do Flamengo, dono do seu passe, optaram pelo retorno ao Rio de Janeiro. Para suprir esta baixa, foram contratados os experientes Mário Sérgio e Paulo César Caju.GLB.common.flash({
color: ”, wmode: ‘transparent’,
width: 600 ,
height: 250 ,
swf: ‘/FlashShow/0,,19339,00.swf’ ,
id: 19339
});

O time brasileiro, reforçado, entrou em campo nitidamente nervoso. Isso era visível tanto nas fisionomias dos atletas quanto no estilo de jogo. O início do primeiro tempo foi marcado por uma seqüência de passes errados e pela dificuldade em chegar à área do Hamburgo. Os alemães depositavam suas esperanças em três jogadores: Jakobs, Rolff e Magath, este vice-campeão mundial com a seleção da Alemanha na Copa de 82. Mas foi justamente o camisa 7 tricolor que começou a desequilibrar a partida aos 37 minutos do primeiro tempo.

Em uma jogada que começou na zaga, o Grêmio chegou ao primeiro gol. Após um ataque do Hamburgo, o lateral-direito Paulo Roberto deu um chute para o alto. A bola caiu no meio com o lateral-esquerdo Paulo César, que ajeitou no peito e rapidamente encontrou Renato livre na direita. O ponta ajeitou a bola, encarou a marcação de Hieronymus, deixou o defensor tonto com três dribles e chutou cruzado. A bola passou em um espaço mínimo entre a trave esquerda e o goleiro Stein.

No segundo tempo, o jogo passou a ficar mais brigado. Os gremistas tentavam segurar o resultado, e os alemães pressionavam em busca do empate. Aos 40 minutos, no momento em que Renato era atendido com cãibras fora do campo, dando sinais de esgotamento físico, o Hamburgo chegou ao empate. Após cruzamento da esquerda e cabeçada para o meio da área, o lateral Shroeder marcou, levando o jogo para a prorrogação. O que poderia ter se tornado um desastre foi logo amenizado por Renato. Com três minutos da prorrogação, Caio cruzou da esquerda. Tarciso raspou de cabeça para o ponteiro gremista, que  dominou, driblou o lateral Schröder e chutou de canhota, no canto esquerdo de Stein, que apenas ficou observando a bola entrar e a comemoração gremista pelo gol que garantiria o título mais importante da história do clube.

Grêmio 2 x 1 Hamburgo
Mazaropi, Paulo Roberto, Baidek, De Léon, P.C. Magalhães; China, Osvaldo, P.C. Lima, Renato, Tarciso, Mário Sérgio Stein, Wehmeyer, Jakobs, Hieronymus, Schröder, Groh, Rolff, Hartwig, Magath, Hansen, Wuttke
Técnico: Valdir Espinosa Técnico: Ernst Happel
Gols: Renato, aos 37 minutos do 1º tempo; Schröder, aos 40 minutos do 2º tempo; Renato, aos 3 do 1º tempo da prorrogação
Cartões amarelos: Mazaropi, Caio, Renato e De León (GRE); Stein (HAM)
Estádio: Tóquio (JAP) Data: 11/12/1983 Árbitro: Michel Vautrot (FRA) Auxiliares: Toshikazu Sano (JAP), Shizuhasu Nakamichi (JAP)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: