Nos pênaltis, Internacional é campeão dentro do Olímpico

Após jogo eletrizante no tempo normal, Renan se redime de falha e pega três cobranças

Grêmio e Internacional decidiram neste domingo, no Estádio Olímpico, o título do Campeonato Gaúcho de 2011. Com a vitória colorada por 3 a 2 no tempo normal, a decisão foi para os pênaltis, já que o Grêmio vencera o primeiro jogo pelo mesmo placar. Nas penalidades, brilhou a estrela do goleiro Renan, que pegou as cobranças de William Magrão, Lúcio e Adílson.

A partida começou com os donos da casa impondo seu ritmo. Mesmo tendo batido o rival no Beira-Rio, o Grêmio imprensou o seu adversário em seu campo de defesa, e contou com o meia Douglas em tarde inspirada.O Inter, por sua vez, viu seu esquema com três zagueiros ruir logo aos 15 minutos da etapa inicial. Douglas deu lançamento milimétrico para Lúcio, que tocou por baixo do goleiro Renan. Incrédulos, os defensores colorados pediam impedimento inexistente.

O gol acentuou ainda mais o predomínio azul, que seguia de posse do meio de campo e criava as oportunidades mais concretas. Viçosa e Douglas, por exemplo, desperdiçaram chances que praticamente selariam o bicampeonato do Gaúcho. O rumo da partida mudou quando o técnico Falcão decidiu abandonar o desenho tático inicial.

Com o meia Zé Roberto na vaga de Juan, o Colorado foi um time mais envolvente e equilibrou as ações e a posse de bola. E foi dos pés de Zé Roberto que nasceu o empate dos visitantes. O apoiador fez jogada pela esquerda e cruzou. Leandro Damião, bem colocado, girou sobre o zagueiro e bateu para reacender as esperanças da minoria colorada presente ao jogo.

Necessitando de mais um gol para levar a decisão para os pênaltis, o Internacional não tinha outra alternativa a não ser buscar o ataque. Aos 45 minutos, Zé Roberto bateu o escanteio, a zaga rebateu e Andrezinho, de fora da área, colocou fogo no clássico.

A etapa final deixou os torcedores com a respiração presa, deixando no ar a sensação de que um gol de qualquer uma das partes resolveria a parada. Impulsionado pelo gol obtido quase nos acréscimos, o Inter partiu para cima do rival, que voltou um tanto mais cauteloso para a decisão.

Aos poucos, porém, o reequilíbrio voltou a ser a tônica do jogo. Aos 11, Leandro Damião isolou o que poderia ser o gol do título. Um minuto depois, Viçosa não marcou o gol que representaria o alívio tricolor.O suspense permaneceu. O desenho aparentemente definitivo da decisão aconteceu aos 28 minutos, momento em que Victor derrubou Zé Roberto na área. O argentino D’Alessandro, que não vinha em grande jornada, teve calma para colocar a bola no fundo da rede.

O apelido Imortal, no entanto, cabe bem ao Grêmio. Aos 36, o goleiro Renan soltou novamente um cruzamento na área e Borges, bem colocado, teve o trabalho de marcar e levar a decisão para os pênaltis. Antes do apito de Leandro Vuaden, entretanto, Inter e Grêmio tiveram chances claríssimas de liquidar.

Nos pênaltis, vitória colorada por 5 a 4. Bicampeonato e festa da metade vermelha do Rio Grande do Sul.

FICHA TÉCNICA:
GRÊMIO 2 (4) X 3 (5) INTERNACIONAL

Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre (RS)
Data/Hora: 15/5/2011 às 16h (horário de Brasília)
Árbitro: Leandro Vuaden
Auxiliares: Altemir Hausmann e Júlio Cesar dos Santos
Cartões amarelos: Juan, D’Alessandro, Zé Roberto, Guiñazu (INT); Vílson, Fábio Rochemback (GRE)
Cartões vermelhos: –

Gols: Lúcio, 15’/1ºT (1-0); Leandro Damião, 31’/1ºT (1-1), Andrezinho, 46’/1ºT (1-2), D’Alessandro, 29’/2ºT (1-3), Borges, 36’/2ºT (2-3)

GRÊMIO: Victor, Mário Fernandes, Vilson, Rodolfo e Gilson (William Magrão, 32’/2ºT); Fábio Rochemback, Adilson Lúcio e Douglas; Leandro (Lins, 31’/2ºT) e Júnior Viçosa (Borges,30’/2ºT) Técnico: Renato Gaúcho.

INTERNACIONAL: Renan, Bolivar, Índio, Juan (Zé Roberto, 28’/1ºT) e Nei; Bolatti, Guiñazu, Andrezinho (Oscar, 4’/2ºT), D’Alessandro e Kleber; Leandro Damião. Técnico: Falcão.

Grêmio vence o Inter no primeiro jogo da decisão

Jogo foi movimentado no Beira-Rio, Tricolor consegue virada e sai na frente do rival no primeiro jogo da final do Gauchão

Internacional e Grêmio começaram neste domingo a decidir o Campeonato Gaúcho. E quem se deu melhor foi o Tricolor que, numa partida muito movimentada, venceu por 3 a 2 no Beira-Rio e, agora, pode empatar e até perder de 1 a 0 ou 2 a 1 no Olímpico para levantar a taça de campeão.

Mesmo jogando fora de casa, o Grêmio começou melhor a partida, encurralando o Internacional em seu campo de defesa nos minutos iniciais. Mas o domínio territorial não foi transformado em gols e o Colorado aproveitou para sair na frente logo em sua primeira oportunidade, com Andrezinho mandando bola no cantinho de Grohe após bom passe de Leandro Damião.

Veja os gols da vitória do Grêmio sobre o Inter

Com a vantagem do Inter, inverteu-se também o domínio do jogo, agora totalmente Colorado. Jogando bem, o time comandado por Falcão ficou perto de chegar ao segundo em oportunidades de Andrezinho e Kléber, defendidas por Marcelo Grohe. Mas o Grêmio não estava morto e chegou ao empate com Júnior Viçosa, que havia desperdiçado duas chances antes. Desta vez, o atacante tricolor contou com saída ruim do goleiro adversário Renan e mandou de cabeça para o fundo da rede.

Se o primeiro tempo foi bem movimentado, o segundo não começou atrás. Com 38 segundos, o Grêmio já marcou o segundo. Leandro tabelou com Viçosa e mandou de bico mesmo para dentro, virando o marcador.

Em destantagem, nada sobrava ao Inter a não ser ir para cima. O jogo, então, ganhou em movimentação com as duas equipes alternando bons momentos no ataque. De tanto insistir, o Colorado chegou ao empate com Leandro Damião. Quando parecia que tudo terminaria igual, Renan voltou a sair mal e Júnior Viçosa, mais uma vez, cabeçou encobrindo o goleiro, dando à vitória por 3 a 2 ao Tricolor.

No finzinho, Escudero ainda foi expulso, mas o Internacional não tinha tempo para mais nada. Resta, agora, correr atrás no Olímpico.

FICHA TÉCNICA:
INTERNACIONAL 2 X 3 GRÊMIO

Estádio: Beira-Rio, Porto Alegre (RS)
Data/hora: 8/5/2011 – 16h
Árbitro: Jean Pierre Gonçalves Lima (RS)
Auxiliares: Marcelo Bertanha Barison (RS) e José Javel Silveira (RS)

Cartões amarelos: Tinga, Rodrigo, Bolatti, Bolívar, Nei (INT); Fernando, Neuton (GRE)
Cartões vermelhos: Escudero, 44’/2ºT (GRE)

Gols: Andrezinho, 8’/1ºT (1-0); Júnior Viçosa, 38’/1ºT (1-1); Leandro, 1’/2ºT (1-2); Leandro Damião, 36’/2ºT (2-2); Júnior Viçosa, 41’/2ºT (2-3)

INTERNACIONAL: Renan, Nei, Bolívar, Rodrigo e Kléber; Bolatti, Tinga, Andrezinho e D’Alessandro (Oscar, 14’/2ºT); Rafael Sóbis (Cavenaghi, 14’/2ºT) e Leandro Damião. Técnico: Falcão

GRÊMIO: Marcelo Grohe, Mário Fernandes, Vilson, Rodolfo (Neuton, 15’/2ºT) e Gilson; Fábio Rochemback, Fernando, Escudero e Douglas (Lúcio, 23’/2ºT); Leandro (Lins, 33’/2ºT) e Júnior Viçosa. Técnico: Renato Gaúcho.

Em jogo sem sal, Grêmio se despede da Libertadores

Derrota fora de casa, contra o Universidad Católica (CHI), completou a péssima noite dos gaúchos na competição

O Grêmio encerrou de forma melancólica a noite trágica dos gaúchos na Copa Santander Libertadores. Se a esperança era um clássico contra o Inter nas quartas de final, o desfecho foi que nem um dos lados do confronto permaneceu na competição. Um passivo time gremista perdeu por 1 a 0, nesta quarta-feira, na partida de volta contra o Universidad Católica (CHI), em Santiago. E como havia perdido também por 2 a 1, em pleno Olímpico, na ida, o Tricolor teve de dar adeus à disputa.

Esfacelado por sete desfalques, o Grêmio pareceu anestesiado. Lento na saída de bola, o time de Renato Gaúcho não conseguiu assustar o Universidad Católica. O mais animado entre os brasileiros foi o próprio treinador, símbolo da agonia à beira do gramado, pedindo mais atitude dos gremistas.

Com a classificação encaminhada por conta da vitória no Olímpico, os chilenos cozinharam o jogo ainda mais. Com um toque de bola refinado, a equipe de Juan Pizzi demonstrou maturidade e equilíbrio para fazer o tempo passar sem correr riscos.

Com um ataque desentrosado (Junior Viçosa e Lins), a “ponta da lança” gremista não conseguiu perfurar a defesa chilena. Com o passar do tempo quem encontrou liberdade para dar trabalho foi o carrasco Pratto, autor dos dois gols no jogo de ida. Foi dele a cabeçada que fez Marcelo Grohe mostrar que é capaz de substituir Victor.

No segundo tempo, com a dose de desespero aumentada, o Grêmio foi mais agressivo. Só que a sorte não estava ao lado do Tricolor. Quando a jogada ofensiva se encaixou, o capitão Valenzuela apareceu para salvar a pele dos chilenos, ao afastar – de cabeça e em cima da linha – um chute de Junior Viçosa com endereço do gol.

Mas nem com as alterações de Renato – tirando o zagueiro Rafael Marques e lançando o garoto Leandro – o Grêmio embalou. O tempo passou rápido para o time brasileiro, que não esboçou reação.

Para encerrar a noite, Mirosevic marcou, de cabeçe, já aos 41 minutos do segundo tempo e fechou a eliminação do Grêmio, que vai ter de buscar o tricampeonato da América em outra ocasião.

U. CATÓLICA (CHI) 1 X 0 GRÊMIO
LOCAL: Estádio San Carlos de Apoquino, em Santiago (CHI)
DATA: 4/5/11
CARTÕES AMARELOS: Eluchans, Costa (UCA); Vilson (GRE)
GOLS:Mirosevic, aos 41’/2ºT (1-0);

U. CATÓLICA: Garcés, Valenzuela, Martínez, Henríquez e Eluchans; Ormeño, Silva, Meneses, Costa (Mirosevic, 8’/2ºT) e Cañete; Lucas Pratto (R. Gutiérrez, 45’/2ºT). TÉCNICO: Juan Pizzi.

GRÊMIO: Marcelo Grohe, Mário Fernandes (Vinícius Pacheco, 38/2ºT), Rafael Marques (Leandro, 18’/2ºT), Rodolfo, e Gilson; Vílson, Adilson, Fernando e Douglas; Lins (Escudero, 33’/2ºT) e Junior Viçosa. TÉCNICO: Renato Gaúcho.

Inter vence nos pênaltis, ganha returno e força dois superclássicos

Colorado empata por 1 a 1 com o Grêmio no tempo normal, mas vence nas cobranças, por 4 a 2, e ganha o returno

O Inter teve o poder da multiplicação ao superar o Grêmio nos pênaltis na tarde deste domingo, no Beira-Rio, após empate por 1 a 1 no tempo normal. Foi múltiplo em campo, com um time mais bem distribuído, mais criativo, mais agrupado. Pluralizou seu bom momento e a instabilidade do rival, consequências naturais de um clássico sem igual – não tente convencer um gaúcho do contrário. E, acima de tudo, transformou um Gre-Nal em três. A conquista do título do returno pelos colorados assegurou a realização de dois superclássicos para a definição de quem manda no Rio Grande do Sul.
O gol do Inter foi marcado por Leandro Damião, no primeiro tempo, em lance polêmico. Júnior Viçosa empatou no segundo tempo. Mas o Inter levou a melhor nos pênaltis, por 4 a 2, com gols de D’Alessandro, Damião, Kleber e Rodrigo. O Grêmio fez com Rochemback e Adílson, mas errou com Borges, que chutou por cima, e Fernando, que parou na defesa de Renan.
A partida reuniu pela primeira vez os maiores ídolos da história dos dois clubes, ambos agora treinadores. Paulo Roberto Falcão e Renato Gaúcho travaram um duelo de estratégia. Os dois modificaram a forma habitual de suas equipes jogarem. O comandante colorado levou a melhor. O Inter foi superior em campo. Só perdeu o controle do jogo com a expulsão de Guiñazu na etapa final.
Os Gre-Nais decisivos serão nos dois próximos domingos, primeiro no Beira-Rio, depois no Olímpico. Antes, é preciso pensar na Libertadores. Na quarta-feira, os colorados recebem o Peñarol, e os tricolores visitam o Universidad Católica.
Euforia vermelha se confunde com ira azul: 1 a 0 pro Inter no primeiro tempo
Aos 23 minutos do primeiro tempo, em um Beira-Rio quase tomado de vermelho e azul, enquanto Leandro Damião fazia festa, todos os jogadores do Grêmio tentavam dar um jeito de pegar o árbitro pelas orelhas e arremessá-lo no fosso do estádio. Um segundo antes, o centroavante do Inter havia vencido Rodolfo no corpo, havia visto o defensor se espatifar no gramado, havia recuperado a bola, havia concluído com um toque precioso por cima de Marcelo Grohe. Antes mesmo de a bola cruzar a última linha tricolor e ir beijar a rede, os atletas do time visitante urravam um pedido de falta do camisa 9 rival. Márcio Chagas da Silva nada marcou. A euforia vermelha se confundiu com a ira azul. Era o gol do Inter.
Era um gol que, separada a polêmica do lance, o Inter mereceu. Os colorados foram bastante superiores aos rivais no primeiro tempo. Paulo Roberto Falcão montou sua equipe em um esquema diferente do habitual, com três criadores – Andrezinho pela esquerda, Oscar pela direita e D’Alessandro livre para circular pelo meio. No Grêmio, Renato Gaúcho foi precavido. Criou um 3-6-1, com Vilson na zaga e três volantes acompanhando Douglas no meio.

Leandro Damião comemora gol do Inter contra o Grêmio (Foto: Jefferson Bernardes / VIPCOMM)
Os primeiros instantes foram de supremacia do Inter. Com dez minutos, o time colorado chegou três vezes na frente com relativo perigo. Damião chutou fraco. Rodrigo cobrou falta para fora. Andrezinho cabeceou por cima.
O Grêmio, quando respondeu, o fez bem. Gilson apareceu pela esquerda e mandou uma pancada em diagonal. Renan espalmou.
Mas o lance não abalou o time da casa. O Inter seguiu superior. Criou chances repetidas vezes, embora elas não tenham sido das mais ameaçadoras. Andrezinho infernizou pelo lado esquerdo. A zaga do Grêmio deve ter pensado em levantar uma daquela plaquinhas com o rosto do jogador, um valor de recompensa embaixo e um recado na parte de cima: procurado. Aos 21 minutos, ele chutou por cima. Aos 34, bateu falta, e Grohe pegou. Aos 46, bateu colocado, novamente com perigo. E foi dele o passe para o gol de Damião.
Renato Gaúcho mexeu em sua equipe ainda no primeiro tempo. Tirou Willian Magrão e colocou o atacante Leandro. Assim, transformou o 3-6-1 em 3-5-2. A mudança não teve força para dar controle ao Grêmio, mas ao menos rendeu uma chance. O guri de 17 anos recebeu lançamento de Rodolfo, entrou na área pela direita e quase empatou. O chute foi parar na rede, mas por fora.
Grêmio equilibra jogo e busca o empate
O início do segundo tempo manteve a supremacia vermelha. Renato Gaúcho se viu obrigado a fazer mais uma mudança, já que Gabriel se lesionou. O volante Fernando foi a campo, e Vilson passou para a lateral direita. Enquanto se reorganizava, o Tricolor viu seu rival criar novas chances de gol. Tinga errou conclusão dentro da área. D’Alessandro mandou pancada de fora, e Grohe espalmou.
Aos poucos, o Grêmio conseguiu dominar o calor do Inter na partida. E equilibrou de vez as ações ao ver Guiñazu ser expulso. O argentino deu um de seus tradicionais carrinhos e levou o cartão amarelo. Já tinha um. Foi para a rua.
Falcão teve que reconstruir seu sistema de marcação. Primeiro, entrou Wilson Matias no lugar de Oscar; depois, Juan na vaga de Andrezinho. O Inter se encolheu. Virou a hora de o Grêmio forçar a barra em busca do gol.
Foi fundamental a entrada de Júnior Viçosa. A ousadia de Renato foi determinante. O treinador tirou Vilson e colocou o atacante. Aos 41 minutos, após confusão dentro da área, o atleta saído do banco completou para o gol. Era o empate. Era o renascimento do Grêmio. Era a chance de o Tricolor ser campeão gaúcho já neste domingo.
O jogo explodiu em tensão. Leandro Damião fez fila na zaga gremista e só parou em Marcelo Grohe. Na resposta, Viçosa ficou livre para virar, mas a zaga abafou. Jogaço!
Mas passou o tempo, acabou o jogo. Restavam os pênaltis, o drama em seu nível máximo, a situação mais inadjetivável para um gaúcho – e tente dizer a algum deles que existe algo superior a um Gre-Nal.
INTERNACIONAL 1 X 1 GRÊMIO
Renan, Nei, Bolívar, Rodrigo e Kleber; Guiñazu, Tinga, Andrezinho (Juan) e D’Alessandro; Oscar (Wilson Matias) e Leandro Damião. Marcelo Grohe, Rafael Marques, Vilson (Júnior Viçosa) e Rodolfo; Gabriel (Fernando), Fábio Rochemback, Adílson, Willian Magrão (Leandro), Douglas e Gilson; Borges.
Técnico: Paulo Roberto Falcão Técnico: Renato Gaúcho
Gols: Leandro Damião, aos 24 minutos do primeiro tempo; Júnior Viçosa, aos 41 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Gilson, Rafael Marques, Adílson (Grêmio); Guiñzu (Inter). Cartão vermelho: Guiñazu (Inter).
Estádio: Beira-Rio, em Porto Alegre (RS). Data: 01/05/2011. Árbitro: Márcio Chagas da Silva. Auxiliares: Altermir Hausmann e José Antônio Chaves Franco Filho. Público: 33.634.

Pratto e Borges complicam Grêmio na Libertadores

Chilenos confirmam bom retrospecto fora de casa e vencem por 2 a 1. Grêmio precisa vencer por 2 a 0 no Chile para avançar

Foi um jogo muito mais complicado do que a torcida previa. A Universidad Católica manteve sua escrita de bons jogos longe de casa e, dentro do Estádio Olímpico, surpreendeu o Grêmio com um placar de 2 a 1. Borges foi expulso ainda no primeiro tempo e deixou o Tricolor com um a menos. Lucas Pratto marcou os dois gols dos chilenos, enquanto Douglas descontou para o time gaúcho. O resultado deixa os tricolores com a responsabilidade de vencer por dois gols de diferença ou por um desde que marque três na próxima quarta-feira, em Santiago.

Com os instrumentos musicais e bandeiras de sua torcida liberados pela polícia após polêmica, a noite se iniciava de forma otimista para o Grêmio. Enquanto ainda havia torcedores chegando ao Estádio Olímpico, o Tricolor já tinha quatro escanteios a seu favor. Quase marcou em uma cabeçada de Borges e deu esperanças aos gremistas presentes.

Um dos melhores times a jogar fora de seus domínios na Libertadores, a Universidad Católica não seguiu o exemplo de Oriente Petrolero e León de Huánuco, adversários gremistas na fase de grupos, e jogou. Teve logo no início do jogo uma finalização de Pratto. Mas o que chamou atenção foi a dedicação na marcação, dificultando às ações de ataque gremista. Douglas encontrou espaço e acertou a trave de Garcés, mas os tricolores não conseguiam entrar na área da La Católica. Pratto também assustou de fora da área. Depois das finalizações, o jogo permaneceu morno para os dois lados, e a torcida azul arrefeceu seu ânimo na arquibacanda.

As emoções do primeiro tempo iniciaram a partir dos 25 minutos. Borges, em um dos lances em que foi protagonista, driblou três marcadores e chutou para fora. Três minutos depois, o balde de água fria. Em erro de Gilson no ataque, a Universidad retomou a bola. Cañete recebeu o lançamento, tirou Rafael Marques da jogada e o campo se abriu na sua frente. Ao seu lado, Pratto entrou livre pela esquerda. Neuton, sozinho, nada pode fazer. O centroavante dos chilenos tocou na saída do goleiro Marcelo Grohe e abriu o placar.

Só que se a coisa estava ruim, piorou. Borges deu uma cotovelada em Henríquez e o auxiliar viu. Foi dedurado e expulso por Néstor Pitana. Deixou o Grêmio com uma a menos e sem centroavante. Na pressão gremista até o fim do primeiro tempo, seriam dois levantamentos que cruzaram a área sem um pé de camisa 9 para empurrá-los para dentro do gol.

Após os 20 minutos no vestiário, Lins voltou no ataque junto de Leandro. A tentativa era de dar mais força ao setor ofensivo. E, ao menos em postura, adiantou. Outra vez com dois atacantes, o Grêmio se postou à frente, no campo da Universidad.

De inúmeras tentativas coletivas, nada saiu. Pois em uma jogada individual de Douglas, o empate veio. Sozinho, Douglas saiu da direita e passou por seus adversários em direção ao meio-campo. Da intermediária, armou e bateu forte na bola. O chute zuniu em direção ao ângulo de Garcés, onde entrou aos 14 minutos. Que golaço! Que empate!

A partir daí, o Tricolor se empolgou. Trocou bola no meio-campo e tentava achar alguma outra brecha na defesa da Católica. Leandro tinha muito vontade, corria muito, mas não conseguiu ser decisivo como em outras situações. E para piorar, os chilenos não se retrancaram. Muito pelo contrário: em estocada aos 29 minutos, Lucas Pratto recebeu cruzamento na área e cumprimentou Marcelo Grohe. O desânimo arrebateu o Estádio Olímpico.

Sem organização, o Grêmio pressionou – ou tentou – até o final da partida. Os chilenos saíam nos contra-ataques e mantinham a posse de bola até gastar o tempo necessário para o árbitro apitar o término do jogo. Nos últimos minutos, Marcelo Grohe ainda salvou o Grêmio de um futuro pior.

FICHA TÉCNICA
GRÊMIO 1 X 2 UNIVERSIDAD CATÓLICA

Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre
Data-Hora: 26/4/2011 – 19h30 (de Brasília)
Árbitro: Néstor Pitana (ARG)
Auxiliares: Hernan Maidana (ARG) e Alejo Castan (ARG)
Renda e público: R$ 766.807,50 / 31.559 pagantes / 35.101 presentes
Cartões amarelos: Martínez, Costa, Silva, Eluchans e Valenzuela (UCA); Willian Magrão e Adilson (GRE)
Cartões vermelhos: Borges 34’/1ºT (GRE)
Gols: Pratto 28’/1ºT (0-1), Douglas 14’/2ºT (1-1) e Pratto 29’/2ºT (1-2)

GRÊMIO: Marcelo Grohe, Gabriel, Rafael Marques, Neuton e Gilson (Escudero 45’/2ºT); Fábio Rochemback, Willian Magrão (Lins – Intervalo), Adilson e Douglas; Leandro (Carlos Alberto 32’/2ºT) e Borges – Técnico: Renato Gaúcho.

UNIVERSIDAD CATÓLICA: Garcés, Valenzuela, Henríquez, Martínez e Eluchans; Ormeño, Silva (Felipe Gutiérrez 18’/2ºT), Costa (Sepúlveda 38’/2ºT), Meneses e Cañete (Villanueva 30’/2ºT); Pratto – Técnico: Juan Antonio Pizzi.

Grêmio vence o Cruzeiro e passa para a final do turno

Em grande jogo, Tricolor fez 3 a 2 no adversário e está na final da Taça Farroupilha

Depois de reclamar e pestanejar sobre o gramado, o Grêmio teve boa atuação e em grande jogo venceu o Cruzeiro no Estádio Passo D’Areia. O resultado de 3 a 2 coloca o Tricolor na final da Taça Farroupilha. Agora, espera o vencedor do jogo entre Inter e Juventude para conhecer o adversário. Se ganhar o jogo final do segundo turno, o clube leva o campeonato gaúcho por antecipação, já que foi o campeão da Taça Piratini. Se Juventude passar, a decisão será no Alfredo Jaconi. Se o Inter se classificar no tempo normal, decisão no Beira-Rio. Pênaltis dá Estádio Olímpico.

O JOGO

Renato Gaúcho surpreendeu e escalou seu time com três volantes. Willian Magrão substituiu o lesionado Gilson, e Lúcio foi deslocado para a lateral esquerda. Mas quem achou que o Grêmio, assim, não atacaria, estava enganado. Logo aos 50 segundos de jogo, Magrão recebeu grande toque de Douglas e soltou a patada. Fábio espalmou para escanteio. Se em tão pouco tempo já havia a primeira finalização do jogo, estava claro que o ritmo da partida seria alto.

O tão falado gramado sintético em nada atrapalhou os jogadores em campo. Um ou outro escorregão, com o de Fábio em lançamento para Borges, mas nenhum problema mais grave quanto a grama. Tanto Grêmio quanto Cruzeiro conseguiam tocar a bola e se armar sem ter o piso molhado como empecilho.

O destaque do time mandante era Jô, leve e rápido atacante que incomodou a zaga gremista. Léo Maringá comandava o meio-campo. O Grêmio, após um momento de domínio inicial, cedeu campo ao Estrelado. Seus três volantes postavam-se muito atrás. Assim, o Cruzeiro levou perigo em jogada aos 15 de Jô, e depois aos 33. Neste último lance, Maringá acionou o atacante. O toque saiu para o lateral Márcio, que cruzou na área. Centroavante que é, Mauro dividiu com Victor. Mas ao socar a bola para longe, o goleiro gremista lesionou o ombro e saiu para a entrada de Marcelo Grohe aos 39. Dúvida para a Libertadores, na terça.

Quando o Grêmio era mais pressionado na partida, teve a felicidade de um lance rapidíssimo. Em uma jogada, em três toques, o gol gremista. Willian Magrão, mais a frente, deu o toque para Borges. Na primeira intervenção do centroavante no jogo, passe para Leandro, dentro da área. O atacante limpou o zagueiro com tranquilidade e fuzilou Fábio. Outro vez o rapaz de 17 anos decidiu para o Tricolor, aos 41 minutos. Antes do intervalo, ainda deu tempo para um petardo de Adilson no travessão.

Só que os 15 minutos de parada parecem ter feito melhor para o Cruzeiro. Em apenas dois minutos, o mandante atacou e descolou uma falta na meia esquerda de ataque. Na cobrança de Márcio, Claudinho sobe mais que a zaga gremista e empata a partida. É como se o segundo tempo iniciasse em igualdade.

Como no primeiro tempo, houve chute de Willian Magrão. Mas dessa vez Fábio não conseguiu espalmar. O gol havia feito o Cruzeiro crescer, mas o Grêmio manteve tranquilo. Em jogada entre Leandro, Gabriel e Willian Magrão pela direita, o volante ajeitou para a perna esquerda e mandou a bomba. O chute saiu fraco, mas desviou na zaga e matou Fábio aos seis minutos.

Em jogo que vale vaga na final, qualquer mudança acende o jogo. E o gol foi assim, colocou emoção no jogo. O Cruzeiro se abriu e procurou o ataque para arrancar um empate. O Grêmio aproveitava os espaços e tentava ampliar. Aos nove minutos, teve pênalti não marcado sobre Borges. Aos 11, tramou jogada pela direita e Douglas cabeceou para defesa de Fábio. Do outro lado, o Cruzeirinho também assustava. Em passe errado de Lúcio, Mauro tabelou com Jô e acertou a trave de Marcelo Grohe.

A emoção continuava. Em lance aos 15 minutos, o Cruzeiro pressionou. Na sequência, Douglas roubou a bola e Leandro perdeu dentro da área. O jogo estava lá e cá! E em mais uma bola levantada na área do Grêmio, o gol de empate cruzeirense. Márcio cruza na área e Léo Maringá completa de cabeça sem chances para Marcelo Grohe. 17 minutos, 2 a 2.

Sem grande atuação de seus atacantes, Renato Gaúcho apostou em Carlos Alberto para mudar a partida. Em seu primeiro lance, falta e xingamentos para o volante Alberto. Na jogada seguinte, carrinho para tentar tirar a bola do goleiro Fábio e drible levado. A vontade do meia arrefeceu o ânimo do Cruzeiro e colocou o Tricolor na frente. Mesmo que não tenha criado grandes jogadas, sua vontade – às vezes em demasia – parece que energizou os colegas.

Em poucos minutos, no entanto, o Cruzeiro desmoronou. Após lance de Lúcio, falta na meia esquerda para o Grêmio. Fábio Rochemback levanta e a bola aérea agora é favorável ao time gremista. Rafael Marques aparece atrás da zaga adversária e, de carrinho, marca o terceiro do Tricolor. Dois minutos depois, Alberto, o único jogador da partida com cartão amarelo, derruba Leandro e é expulso.

Os dois lances deram tranquilidade ao time gremista. Com um a mais e a vantagem no placar, os gremistas trocavam bola e dominavam a partida com certa facilidade. A expulsão de Alberto deu ao Grêmio a chance de administrar a vitória e tirou as forças restantes do Cruzeiro. Mesmo com o sangue novo que o técnico Leocir Dall’Astra colocou, o time mandante foi eliminado da competição outra vez na semifinal.

No final, ainda deu tempo de Carlos Alberto recompor a linha defensiva como lateral esquerdo, já que Lúcio sentia dores na virilha.

FICHA TÉCNICA:

CRUZEIRO 2 X 3 GREMIO

Data/hora: 23/04, às 18h30

Local: Estádio Passo D’Areia, em Porto Alegre

Árbitro: Vinícius da Costa, auxiliado por Júlio Cesar dos Santos e Alexandre Kleiniche.

Gols: Leandro, aos 41 minutos do primeiro tempo, Willian Magrão, aos 6 minutos do segundo tempo e Rafael Marques, aos 29 minutos do segundo tempo(G) e Claudinho, aos 2 minutos do segundo tempo e Léo Maringá aos 17 minutos do segundo tempo(C)

Cartões amarelos: Alberto, Márcio (C)

Cartões vermelhos: Alberto (C)

Cruzeiro: Fábio; Márcio, Claudinho, Sandro e Tinga; Alberto, Almir, Leo Maringá(Juninho Botelho 39′/2ºT) e Diego Torres(Faísca 33′/2ºT); Jô e Mauro(Rafael Cearense 30′/2ºT). Técnico: Leocir Dall’astra.

Grêmio: Victor(Marcelo Grohe 39′/1ºT); Gabriel, Rafael Marques, Rodolfo e Lúcio; Fábio Rochemback, Adilson, Willian Magrão e Douglas; Leandro(Lins 38′/2ºT) e Borges(Carlos Alberto 24′/2ºT). Técnico: Renato Gaúcho.

Na grama artificial ou no deserto, Renato Gaúcho se diz preparado

Técnico do Grêmio lamenta confirmação de partida no Estádio Passo D’Areia

Após a classificação do Grêmio à semifinal da Taça Farroupilha, o técnico Renato Gaúcho assumiu a linha de frente na briga para não jogar no gramado sintético do Estádio Passo D’Areia. Mas o Cruzeiro-Poa, adversário tricolor, fez questão de confirmar seu mando de campo para a casa do São José-Poa, no piso artificial.

A decisão, embora contrarie a ambição dos gremistas, é irreversível. Os titulares do Grêmio, às18h30m de sábado, terão de disputar na grama artificial uma vaga na decisão do segundo turno do estadual.

Para Renato Gaúcho não há problemas. Embora lamente a definição do local da partida, ele diz que o Grêmio está pronto para jogar, se preciso for, até no deserto.

– Está marcado lá, sem problemas. Meu grupo está preparado para enfrentar qualquer adversário em qualquer lugar. Não houve bom senso, mas vamos jogar lá, sem problema algum. Teremos um treino na sexta-feira. (…) A Federação Gaúcha de Futebol deveria ter informado ao Grêmio antes de combinar com o Cruzeiro e de dizer para a imprensa. Não houve bom senso. O Grêmio tentou de todas as formas jogar em outro lugar. Não era o Grêmio que seria beneficiado. O futebol seria beneficiado. Os jogadores do Cruzeiro também podem se machucar lá. Mas o Grêmio joga em qualquer lugar, se quiserem marcar a final no deserto, a gente vai.

O temor se justifica para o Grêmio. Na próxima terça-feira, devem iniciar para os tricolores as oitavas de final da Taça Libertadores. E, desde a vitória de 3 a 0 sobre o Porto Alegre – dia 20 de março, no Passo D’Areia – dois atletas recuperam-se de problemas físicos, segundo Renato, provocados pela grama artificial:

– Eu tenho dois jogadores – o Viçosa que jogou, o Romário que só treinou – que estão lesionados até hoje depois daquele jogo no gramado sintético. Não sou o dono da verdade. Fiquei triste com a lesão do jogador do Internacional (Sorondo). E foi por causa do gramado. Se acontecer uma lesão com o Grêmio, ou com algum jogador do Cruzeiro? Sou só um funcionário do Grêmio, mas eu joguei futebol, e tenho experiência. O Grêmio vai jogar, sem problema algum, mas o risco é grande.

Ao final da entrevista coletiva, Renato ironizou sobre a possibilidade de perder jogadores por lesão em partida de Libertadores.

– Mesmo que não tenha lesão, o jogador vai ficar com mais dor muscular para o próximo jogo. O Grêmio pode jogar na terça pela Libertadores. Mas, Libertadores parece que não é importante.